domingo, maio 23, 2010

Gostava

Gostava,
de dizer que o sitio onde me sinto bem fosse um campo verdejante, que era o mar que me fazia pensar na vida, nas pessoas que dela fazem parte.Mas não.
Durante muito tempo, era um cemitério.
Um cemitério, por mais mórbido que isso possa parecer, e acreditem que eu não sou uma pessoa mórbida (digo eu)
Agora é tão só, um lugar que até então não me inspirava,
Vou lá, e fico dez minutos, durante esse tempo penso em mim, penso friamente sofre o que sinto.Nem sempre isso se consegue, é fácil pensar que o passado já passou e o presente há-de sorrir.Mas do presente é mais difícil falar.
Peço então desculpa, pelas vezes que agi mal.Digo que não venero um Deus, acredito na sua existência e bondade e por isso estou ali, porque gosto dele, da minha forma simples.
Penso nas coisas boas e de algum modo agradeço, e depois peço, peço por isto e aquilo.Digo que não quero abusar mas...se pudesse fazer com que a minha família esteja bem, agradecia.E se pudesse fazer com que aquele meu amigo não estivesse com tantos problemas também.Tomo ainda decisões, não em dez minutos, mas á saída.Prometo voltar e digo que é ali que pertenço.Foi ali que fiz a primeira comunhão, com um vestido amarelo torrado com rendinha branca, feito pela costureira porque achava os brancos mais próprios para os casamentos.Tento não pensar em coisas fúteis, mas mesmo assim não tenho vergonha de as pedir, porque ali não tenho de fingir.


- Então, tas a conversar com nossa senhora?
-Acho que não, não sei bem com quem estou a falar.Mas estou a pedir, para que me ajude a perdoar-lhe quando tu um dia não estiveres comigo.
-Tu és o meu sonho, minha filha!


...Não tenho mais palavras